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El shabono abandonado
11.09.2014

1979
Juan Downey

Entre novembro de 1976 e maio de 1977, Juan Downey conviveu com as comunidades Yanomami de Bishassi e Tayeri e, desde a sua chegada ao território indígena, mergulhou na estrutura social dos shabonos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Shabono é a palavra que designa fenda, abertura ou clareira na selva; seu contorno é traçado em função da estrutura familiar das partes integrantes. A parte central da área constitui a praça da povoação, e, próximo ao seu limite, ergue-se uma estrutura ininterrupta feita de troncos de árvores e folhas de palmeiras com um imenso telhado de uma só água, que é o espaço doméstico, o espaço da vida social, dos ritos e dos exercícios xamanísticos. Segundo o antropólogo Jacques Lizot, o shabono é um microcosmo em que se produz a exata convergência das ordens cosmológica, religiosa e social dos Yanomami. Para Downey, ele é, além disso, um exemplo perfeito de arquitetura invisível, leve, flexível, econômica; uma arquitetura interdependente das forças naturais; um organismo com os poderes do universo, que alimenta a natureza da mesma forma que é alimentado por ela.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Embora pareça que o artista dá continuidade à tradição do documentário etnográfico, de modo semelhante a pioneiros como Jean Rouch – isto é, mergulhar no “local dos fatos”, adotar os costumes da comunidade e estabelecer um diálogo com os “observados” por meio das imagens que grava com seu equipamento – as analogias reduzem-se a isso, já que seu exercício é filtrado por um componente de subjetividade que subverte as normas clássicas do gênero. Ele não mantém uma distância, mas se introduz na ação observada como parte ativa. Da mesma maneira que em Video Trans Americas [pp. 166-167], aproximar-se do outro em El shabono abandonado [O shabono abandonado] significa antes descobrir a si mesmo – nesse caso, de um modo ainda mais extremo, completamente afastado de sua vida e de sua família. Para Downey, a experiência artística com os Yanomami constitui o documento de um processo e não a manipulação de materiais passivos, como provam também os mapas e desenhos resultantes de suas meditações na selva. – NEM

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